Igrejas cristãs promovem campanha contra modelo econômico



A Campanha da Fraternidade Ecumênica 2010 tem como tema “Economia e Vida”. Segundo seus organizadores, a campanha tem como objetivos valorizar as pessoas, superar o consumismo e reconhecer a responsabilidades individuais diante dos problemas da vida econômica.

A Campanha da Fraternidade deste ano agrupa pela terceira vez na história a Igreja Católica, a Igreja Presbiteriana Unida, a Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, a Igreja Evangélica de Confissão Luterana do Brasil e a Igreja Síria Ortodoxa de Antioquia.

Com o lema extraído do Evangelho de São Mateus - “vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro”, a campanha também quer estimular a reflexão sobre a economia e a desigualdade social no Brasil.

“Precisamos educar o nosso povo para a cidadania em que se respeitem os direitos das pessoas e lhe dê condições de viver dignamente. Muitas vezes os direitos são lesados, como é o caso da escravidão, como é o caso das pessoas que não têm vez: não têm trabalho, não têm casa, não têm terra para plantar, não têm casa e não têm o olhar da sociedade”, assinalou dom José Alberto Moura, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

De acordo com o economista Guilherme Costa Delgado, que assessorou na elaboração do texto base da campanha, a mobilização das igrejas “tem o sentido de crítica ao modelo vigente e reflexão sobre o futuro”, disse Delgado, que trabalha no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e é professor visitante da Universidade Federal de Uberlândia.

Delgado fez referência à exploração extrema do trabalho e à destruição ambiental. “A questão do meio ambiente não se resolve pela economia moderna. A economia capitalista não tem compromisso com o meio ambiente, assim como não tem compromisso com o trabalho. A proteção ao trabalho e a proteção ao meio ambiente são ideias forças que vem de fora [dos movimentos ambientalista e sindical, por exemplo] e algumas são incorporadas ao capitalismo moderno, por meio do Estado de bem-estar”, apontou.

A campanha tentará levantar recursos para comunidades pobres e terá uma cartilha para discussão paroquial. De acordo com dom José Alberto Moura, os resultados da campanha serão apresentados aos candidatos à Presidência da República.

O pastor Sinodal Carlos Augusto Möller, da Igreja Luterana e presidente do conselho que agrega às cinco igrejas (Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil - Conic), nega que a campanha queira fazer crítica à política econômica atual, mas apontar que “a economia precisa estar a serviço da vida”.

A Campanha Ecumênica da Fraternidade terá spots em rádio e comerciais de televisão, que começam a ser veiculados hoje e vão ao ar até o final da Quaresma, no dia 1º de abril, véspera da Sexta-Feira da Paixão.

Fonte: Agência Brasil






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