Cultura do bicho-da-seda volta a atrair produtores no Paraná



A produção de seda no Paraná vive um bom momento, com preços aquecidos, e atraindo novos produtores para a atividade. Foi neste clima que o secretário de Estado da Agricultura e do Abastecimento, Norberto Ortigara, abriu o Encontro Estadual de Sericicultores nesta quinta-feira (21/7), em Cruzeiro do Sul, região Noroeste, com a participação de 1,2 mil produtores. A seda produzida no Paraná considerada uma das melhores do mundo, e um produto que tem comercialização garantida no mercado europeu e asiático destacou Ortigara.

A produção brasileira de casulo de bicho-da-seda na safra 2014/15 foi de 2,9 mil toneladas, e deste total o Paraná respondeu por 2,4 mil toneladas, que corresponde a 82,7%. Segundo dados do Departamento de Economia Rural (Deral), houve um crescimento de 9% na produção do Paraná, considerado o maior produtor nacional.

Segundo Oswaldo da Silva Pádua, técnico da Emater e gerente da Câmara Técnica da Seda no Paraná houve um aumento de 20% a 30% nos preços pagos na safra 2014/2015. O produtor está recebendo em média entre R$ 18,00 a R$ 20,00 pelo quilo do casulo o que garante a ele uma boa remuneração, que pode chegar a até R$ 15 mil por hectare diz Pádua.

O crescimento da atividade foi alavancado pelas parcerias com o Governo do Paraná e iniciativa privada. Mas diversos programas como o Patrulha Sericícolas, que há três anos repassa máquinas e equipamentos para associações de produtores, o programa de calcário, adubos, e o fortalecimento das associações foram fundamentais para a revitalização da atividade e atrair novos produtores, avalia Pádua.

Inovações Tecnológicas - O encontro de produtores teve como destaque a apresentação de inovações tecnológicas. Cinco famílias da macrorregião noroeste, que compreende as regiões de Maringá, Paranavaí, Cianorte, Campo Mourão e Umuarama apresentaram suas experiências, mostrando o trabalho desenvolvido em suas unidades de referências.

Uso de irrigação, adubação e bom manejo fizeram a diferença. De acordo com Gianna Maria Cirio, analista deste setor no Deral, muitas destas práticas já utilizadas em outras culturas não eram aplicadas no cultivo das amoreiras. Novas máquinas também reduziram o esforço dos produtores durante a colheita e a necessidade de mão de obra, um dos grandes gargalos do setor comenta Gianna.

A parceria com a indústria, o Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), universidades públicas e particulares, têm favorecido os avanços. A Unioeste, por exemplo, está sendo pesquisando a sericina (goma que envolve o fio da seda) no combate ao câncer. Na UEM pesquisam novas ramos de bicho-da-seda e a Uningá desenvolve experimentos com novas variedades de amoreiras, especialmente algumas resistentes ao frio.

Produtividade - Nos últimos anos, a combinação de pesquisas, investimento e tecnologias avanços de produção está elevando a produtividade. Segundo o Deral, no período o entre 2011/12 a 2014/15, mesmo com a redução de área de 26%, a produção cresceu 7% devido ao aumento de produtividade, que passou de 558 para 651 kg/ha.

No último levantamento feito pelo Deral verificou-se a presença da sericicultura em 174 municípios, envolvendo cerca de 1.790 sericicultores em uma área de 3.730 ha de amoreiras. O município de Nova Esperança no noroeste, continua sendo o maior produtor, com a concentração de 158 produtores que equivalem a 17% do Estado. Cultivam uma área de 543 hectares e produzem 348 toneladas de casulos verdes, informa Gianna. Comparando as duas últimas safras, o aumento de produtividade chegou a 25%.

Exportação- Os produtos da seda são exportados do Brasil na forma de fios (85%) e como sobra de seda não cardados (15%). Segundo Pádua, o Brasil exportou na última safra 550 toneladas de fio da seda, que vão para países da Europa, como Itália, França e Alemanha, e também para países asiáticos como Japão e Coreia.

O preço pago pelo quilo da seda está variando hoje entre US$ 50 a US$ 60, lembrando que para fazer 1kg de fio são necessários 6 kg de casulos. “O fio brasileiro é muito bem aceito pela sua qualidade superior ao produzido na China, que é um grande exportador também. O nosso fio tem sido utilizado na França e Itália para compor roupas de marcas exigentes”, afirma Pádua.

VBP - O Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP), calculado pelo Deral, mostra a evolução do desempenho da atividade (produção de casulos + larvas do bicho da seda), ao longo do ano de 2015, que corresponde ao faturamento bruto dentro dos estabelecimentos, registrou o valor de aproximadamente R$ 41 milhões na safra 2014/15.

Sucessão Familiar - Novos sericicultores estão entrando na atividade em substituição daqueles que se aposentaram e saíram definitivamente da produção. Muitos jovens que haviam deixado a sericicultura explorada pelos seus pais estão voltando. Estima-se que 10% dos quase 1.800 mil produtores estejam retornando. A sucessão familiar na atividade também foi um dos destaques do encontro estadual em Cruzeiro do Sul.

A empresa Bratac está trabalhando com o objetivo de aumentar a produção de matéria-prima com a entrada de novos sericicultores assim como no aumento de produtividade das amoreiras, tecnificação dos processos que resultam num aumento da produção e em qualidade com consequente aumento de renda para quem está na atividade. Todo este esforço está atraindo muitos jovens e isto muito importante, pois há um envelhecimento da população rural assim como acontece nas cidades, comenta Pádua.

Fonte: Agência Estadual de Notícias






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