Governo do Paraná libera mais R$ 2 milhões para o combate à dengue


  

O secretário estadual da Saúde, Michele Caputo Neto, autorizou, em caráter emergencial, o repasse de R$ 2 milhões para apoiar 54 municípios em situação crítica para epidemia de dengue. Os recursos são do VigiaSUS, programa lançado neste mês pelo governador Beto Richa para fortalecer as ações de Vigilância em Saúde nos 399 municípios. Em 2013, o Estado aplicará R$ 47 milhões no programa, dos quais R$ 30 milhões são para os municípios.

Segundo Caputo Neto, o repasse está sendo antecipado por conta do período delicado que esses municípios estão passando. “O clima está colaborando para o avanço da dengue. Com esse novo aporte, queremos que as prefeituras contratem mais agentes e coloquem toda a estrutura na rua no combate ao mosquito”, explicou.

Os valores dos repasses variam de R$ 27 mil a R$ 96 mil, de acordo com o porte do município, e podem ser aplicados na compra de equipamentos de proteção individual (EPI), testes rápidos para o diagnóstico da dengue e contratação de pessoal, entre outras ações de vigilância.

Números – A Secretaria da Saúde também divulgou nesta segunda-feira (11/03) os novos números da doença no Estado. De agosto de 2012 até agora foram registrados 9.897 casos de dengue, sendo que 56 deles evoluíram para a forma grave da doença.

Os municípios com maior número de casos confirmados são Paranavaí (2.536), Peabiru (1.167), São Carlos do Ivaí (740), Campo Mourão (629), Fênix (443) e Maringá (426).

Neste novo boletim, a Sala de Situação da Dengue informa ainda que mais oito municípios entraram na lista de cidades com incidência de casos superior a 300 por 100 mil habitantes: Araruna, Campo Mourão, Jussara, Amaporã, Nova Aliança do Ivaí, Paraíso do Norte, Porto Rico e Terra Roxa.

Outras três mortes também foram confirmadas neste último boletim, subindo para nove o número total no Paraná. As novas mortes são de Campo Mourão, Peabiru e Maringá. Um dos óbitos foi o de um homem de 66 anos que começou a apresentar sintomas de dengue no dia 15 de fevereiro. Dois dias depois ele foi internado, teve piora gradativa no quadro clínico e morreu por dengue hemorrágica no dia 20 de fevereiro.

Outra morte foi de um morador de Peabiru, de 66 anos. Ele era fumante e tinha doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC). O paciente foi internado na Unidade de Terapia Intensiva de um hospital de Campo Mourão, em 26 de fevereiro, e morreu por dengue hemorrágica no dia seguinte.

O terceiro morte confirmada por dengue foi a de um homem de 45 anos, morador de Maringá, que teve complicações no quadro clínico da doença. Ele deu entrada no hospital já com sinais de hemorragia e morreu em 5 de março.

Problemas – Nos meses de novembro e dezembro, a Secretaria da Saúde aplicou um roteiro para avaliar a estrutura de combate à dengue disponível nos municípios. O relatório apontou que dos 28 municípios hoje em epidemia, 16 mantinham número insuficiente de agentes de combate à dengue. Este dado também reflete nos índices de pendência, ou seja, muitas casas não eram visitadas pelos agentes.

Além disso, janeiro foi um período de transição de prefeitos, o que pode ter acarretado a demissão de equipes. “Por isso, o ideal é que os agentes tenham vínculo empregatício estável, sendo contratados por concurso público”, ressaltou o superintendente de Vigilância em Saúde, Sezifredo Paz.

Outra falha identificada é o sistema de coleta seletiva municipal. Dez municípios não possuíam sistemas estruturados, o que contribui para a destinação inadequada do lixo reciclável.

O relatório mostra ainda que 13 cidades tinham déficit de veículos e equipamentos para o desenvolvimento das ações e 18 não mantinham comitês municipais de controle da dengue atuantes. Estes comitês são responsáveis por mobilizar gestores, comércio, indústria e população em geral para planejar e executar medidas que previnem a ocorrência de epidemias.

Para o superintendente, a resolução da maioria desses problemas demanda tempo e o momento é de ações de curto prazo. “Neste período agudo, a solução é promover arrastões de limpeza e conscientizar a população para manter suas casas livres de focos do mosquito”, afirmou.

Sezifredo também destacou a importância da organização da assistência aos doentes. “Se tratado de forma correta, o paciente com dengue tem mais chances de cura sem que haja necessidade de internação”, disse.

Fonte: Agência Estadual de Notícias






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